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Edição: Jan 2023
Nº Páginas: 168
Sinopse: «Se sou o chefe dos pecadores, também sou o chefe dos sofredores.» Em O ladrão de cadáveres, dois jovens estudantes de Medicina, a mando do seu professor de Anatomia, roubam cadáveres para fins macabros. No conto seguinte, Markheim, um homem envolve-se numa altercação com um lojista e ataca-o violenta e desproporcionadamente; quando regressa a si, percebe-se observado. O estranho caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde conta-nos a história de um reputado médico, Dr. Jekyll, que inventa uma fórmula química capaz de isolar a maldade da sua personalidade. Esta descoberta permite-lhe alimentar um impulso antigo e vaguear pela noite, livre de quaisquer constrangimentos morais, espalhando o terror na cidade. Robert Louis Stevenson, mestre do horror e da literatura gótica, explora o inconsciente e o primitivo, indissociáveis da condição humana, e expõe, sem peias, as ansiedades da sociedade vitoriana do final do século XIX.
Nº Páginas: 160
Sinopse:
Um clássico de Shakespeare sobre os inegáveis efeitos físicos e psicológicos da ambição e da sede de poder."Não volto lá:Tenho medo de pensar no que fiz;Nem quero olhar, não ouso olhar."No caminho de regresso de uma batalha ganha, dois generais de Duncan, rei da Escócia, recebem profecias inesperadas. A Banquo é vaticinado que dará origem a uma dinastia de reis. A Macbeth, porém, as bruxas anunciam que virá, ele próprio, a ocupar o trono. A partir desse momento, o outrora leal e corajoso general transforma-se numa alma sedenta de poder cuja ambição desmedida precipitará uma espiral de violência sobre a corte e o levará, a ele e a Lady Macbeth, à loucura.Baseada na verdadeira história do rei Macbeth da Escócia, no século XI, e escrita e levada a cena nos primeiros anos do século XVII, a assombrosa "Tragédia de Macbeth" reflete sobre os limites do medo e da culpa numa mente dominada pela cupidez.
Nº Páginas: 168
Sinopse:
Prefácio de José Pacheco Pereira Quando o senhor Jones se esquece de alimentar os animais da sua quinta, uma - justa - revolução é posta em marcha. Liderados pelos porcos Snowball e Napoleão, os animais expulsam o dono e assumem o controlo da quinta com o objetivo de acabar com as terríveis desigualdades e instalar um novo sistema de poder, mais justo, que beneficie quem mais trabalha. Porém, com o passar do tempo, os ideais que inspiraram a rebelião vão ser esquecidos, pervertidos, e uma nova e inesperada forma de tirania acaba por se impor nas vidas daqueles animais. Inicialmente publicado em 1945, "A Quinta dos Animais", uma das obras mais emblemáticas do século XX, é uma sátira brilhante e devastadora à corrupção do idealismo pelo poder.
Nº Páginas: 352
Sinopse:
Prefácio de Clara Rowland: Uma obra-prima inteligente e mordaz sobre um homem e um país apanhados num confronto violento entre razão e fanatismo. Ambientado no final do século XIX, o romance narra a história do major Policarpo Quaresma, nacionalista extremado que engendra planos sublimes para o seu amado Brasil: uma nação que fale tupi-guarani, alicerçada numa economia agrícola. Patriótico fanático, os seus sonhos transformam-se na sua derrocada, qual dom Quixote, e os projetos em que se envolve para defender a nação falham desastrosamente. Com uma literatura engajada e realista, professor de ideias sociais e políticas progressistas, Lima Barreto, um dos mais importantes escritores brasileiros da modernidade, foi um crítico feroz das desigualdades e hipocrisia da sociedade brasileira. O seu visionarismo e militância custar-lhe-iam a indiferença e desprezo dos seus contemporâneos, mas seriam o motor para uma obra vasta, relevante e sempre atual que viria a influenciar toda a literatura brasileira que se lhe seguiria. Publicado pela primeira vez em 1911, o satírico Triste Fim de Policarpo Quaresma é um clássico imperdível da literatura brasileira que conhece agora a sua primeira edição em Portugal.
Nº Páginas: 169
Sinopse:
Prefácio de Paula Morão: É de 1887 a publicação de um dos mais belos e importantes livros de poesia em língua portuguesa. No ano anterior, 1886, morria, aos 31 anos, o seu autor, vítima de tuberculose e da maior incompreensão e desprezo dos seus pares. Cesário Verde, o homem que viu poesia na sujidade das ruas, no corpo doente da engomadeira, na azáfama dos trabalhadores, revolucionou o cânone e impôs uma nova forma de olhar o real, de o descrever e sentir. Entre a cidade e o campo, o caos e a liberdade, o idílio e a realidade, emerge em Cesário uma nova sensibilidade, transgressora, que privilegia os sentidos e as impressões do quotidiano em detrimento de um sentimentalismo exacerbado que sentia já distante, imposição de uma consciência social preconizadora de um final de século turbulento. Chegaria tarde demais para Cesário o reconhecimento do seu génio e do seu papel determinante na história da poesia portuguesa. Mas não seria tarde demais para quem, graças ao trabalho e dedicação do seu amigo Sousa Pinto, pôde ler os inigualáveis poemas de um dos maiores poetas de língua portuguesa e compreender o alcance da modernidade e inventividade dos versos daquele a quem Fernando Pessoa chamaria mestre.
Nº Páginas: 104
Sinopse:
Prefácio de Gonçalo Vilas-Boas A história absurda e desconcertante de um homem banal que acorda um dia metamorfoseado num animal grotesco e que tenta, como pode, adaptar-se à sua nova realidade, é um texto transformador para quem o lê. A magistral sobriedade e precisão das palavras de Franz Kafka abrem as portas a uma multiplicidade de leituras, da política à psicanalítica, e provocam no leitor uma inigualável, quase violenta, sensação de desespero. Trazendo o pesadelo para a vigília, o humor para a tragédia, a razão para o absurdo, Kafka expõe, através de uma obra metafórica, um complexo sistema opressivo de alienação e desilusão perante o futuro incerto. Nesse processo, coloca o ser humano em confronto com o que de mais visceral existe dentro de si. "A Metamorfose" permanece, desde o ano da sua publicação, em 1915, um dos livros mais enigmáticos da história da literatura, e, por isso mesmo, um dos mais lidos, estudados e discutidos de sempre.
Nº Páginas: 240
Sinopse:
"É possível que o próprio mundo seja totalmente desprovido de significado." Numa tentativa débil de dar sentido a uma existência desapaixonada, Clarissa Dalloway insiste em comprar ela mesma as flores para a festa dessa noite, em sua casa. A sucessão de preparativos, porém, é invadida por pensamentos e impressões indesejados — não apenas da protagonista, mas daqueles com quem se cruza pelas ruas de Londres; não apenas desse dia de junho de 1923, mas de uma vida inteira, relembrada e, por fim, questionada. Com uma clareza absoluta sobre os absurdos que regiam o quotidiano de então — as convenções de classe, a inutilidade do conflito armado, a atitude da sociedade perante a "loucura" —, Virginia Woolf serve-se do fluxo de consciência, técnica narrativa de que foi pioneira, para expor o desabar de certezas e de alicerces que marcou o período pós-Primeira Guerra Mundial, neste que é um dos seus títulos mais lidos e uma obra maior do modernismo.
Edição: Mai 2023
Nº Páginas: 496
Sinopse: Noli me Tangere foi o grande catalisador da revolução filipina pela independência. Um romance apaixonante sobre a luta pela liberdade de um povo. «O povo não se queixa porque não tem voz, não se mexe porque caiu na letargia, e o senhor diz que não sofre porque não viu como lhe sangra o coração.» Considerado uma das primeiras manifestações artísticas da resistência asiática ao colonialismo europeu, Noli Me Tangere, o romance revolucionário fundador da identidade filipina, conta-nos a história de amor apaixonante entre Crisóstomo Ibarra, um jovem estudante acabado de regressar da metrópole, filho de um comerciante assassinado por razões políticas, e María Clara, filha de um amigo de família, cujo destino será interrompido por um terrível segredo. Frequentemente apontado como o grande catalisador da insurreição popular filipina contra o seu ocupante ibérico, o polímato e ativista José Rizal denuncia com minúcia e realismo a corrupção e os abusos de poder do governo espanhol e da Igreja católica na sociedade colonial filipina do século XIX, através de um enredo intemporal que inspirou um povo a clamar por liberdade.
Edição: Jun 2023
Nº Páginas: 312
Sinopse: Um dos livros mais revolucionários de sempre, que rejeita a diferença da educação entre homens e mulheres e defende para ambos os mesmos direitos fundamentais. «Não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas.» Em 1792, com a Revolução Francesa a incendiar o debate político de ambos os lados do canal da Mancha, Mary Wollstonecraft reage apaixonadamente a um relatório sobre educação pública onde o seu autor, o príncipe e diplomata Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord, sugere que a educação das mulheres deveria ser feita nos limites da esfera doméstica, longe do espaço público, exclusivo dos homens. Argumentando que as mulheres são elementos essenciais para o progresso de qualquer sociedade e, por isso, merecedoras dos mesmos direitos fundamentais que os homens, Wollstonecraft lança, neste manifesto precursor da luta feminina, as bases para a crítica a um sistema que defendia e promovia a duplicidade de critérios. O caráter revolucionário de Uma Vindicação dos Direitos da Mulher e a vida de quem o escreveu inspirariam os movimentos emancipatórios feministas e sufragistas dos séculos seguintes, com consequências reais para as vidas de mulheres em todo o mundo. Com introdução de Maria Clara Sottomayor.
Edição: Out 2023
Nº Páginas: 200
Sinopse: «A cidade clara assiste aos trabalhos e aos esgares. Nada pode perturbar a manhã.» Rompendo com as correntes dominantes da poesia modernista, Trabalhar Cansa aponta o olhar para os camponeses, os bêbedos, os operários, as prostitutas, os presidiários, conferindo dignidade aos proscritos. Ao ócio aparente destas figuras marginais, opõe-se uma forte atividade interior do poeta que as retrata, alicerçada numa observação minuciosa e desapaixonada do quotidiano, da vivência urbana e da paisagem piemontesa. Publicada em 1936, enquanto Cesare Pavese, antifascista, cumpria pena de degredo em Brancaleone, na Calábria, Trabalhar Cansa é a primeira obra de um dos mais admiráveis escritores italianos do século XX. Alvo de censura por parte do Governo de Mussolini, tornou-se um livro de culto que marcou gerações. Com introdução de Matilde Campilho «Trabalhar Cansa mostra-nos Pavese no início da sua carreira trágica, escrevendo poesia com originalidade corajosa, inteligência e poder.» New York Times «Pavese escreve de maneira densa, mas delicada; o seu estilo é inimitável. E escreve sobre as coisas que importam.» Elizabeth Strout
Edição: Nov 2024
Nº Páginas: 216
Sinopse: Ainda não tinha passado sequer meia dúzia de minutos quando, de repente, para meu grande espanto, percebi que estava perdidamente apaixonado por aquela rapariga, e ela nem sequer era a mais bonita. Nesta coletânea de dez contos autobiográficos, o escritor galês Dylan Thomas revisita a sua infância e juventude, que viveu com o entusiasmo arrebatado de um jovem cão, nas costas de Swansea. As aventuras da meninice, de que fazem parte um coração partido, a construção de uma amizade e o confronto com a morte, são contadas com um humor contagiante e uma surpreendente sensibilidade poética. Publicado em 1940, e caracterizado por um fulgor linguístico e literário ímpares, Retrato do Artista Quando Jovem Cão concede ao leitor o privilégio de acompanhar o autor no seu percurso apaixonante em busca de uma identidade artística - que viria a revelar-se nada menos que genial.
Edição: Mai 2023
Nº Páginas: 208
Sinopse: O despertar proibido de uma mulher para o amor e o desejo. « mas, viesse o que viesse, tinha decidido que nunca mais pertenceria a ninguém, a não ser a si mesma.» Ambientado na Nova Orleães do final do século XIX, O Despertar conta a história de Edna Pontellier, uma jovem mulher privilegiada que desafia a sociedade tacanha do Sul dos Estados Unidos e rejeita a vida doméstica e subalterna a que o casamento e a maternidade a condenavam. O trágico, mas heroico, inconformismo de Edna, que se permite explorar os seus desejos e construir uma identidade radicada numa absoluta liberdade moral e erótica, foi considerado, na altura, um texto sórdido e imoral e condenou a sua autora, Kate Chopin, à proscrição. A crítica social acutilante a que se entrega e a sua inegável natureza revolucionária ditaram que este romance fosse considerado, décadas após a sua publicação original em 1899, precursor do modernismo americano e um marco da literatura feminista. Introdução de Hélia Correia
Edição: Mar 2026
Nº Páginas: 384
Sinopse: Em 1187, os exércitos de Saladino sitiaram a cidade sagrada de Jerusalém. Atrás das altas muralhas da cidade uma defesa desesperada era liderada por um trio improvável - incluindo Sibila, rainha de Jerusalém. Embora muitos livros tenham sido escritos sobre as Cruzadas, um aspeto está visivelmente ausente: as histórias das mulheres. Rainhas e princesas tendem a ser apresentadas como transmissoras passivas de terras e sangue real. Na realidade, as mulheres governavam, conduziam negociações diplomáticas, tomavam decisões militares, forjavam alianças, rebelavam-se e empreendiam projetos arquitetónicos. Este é o relato das mulheres negligenciadas pela História, mulheres fortes, poderosas e que deixaram uma marca profunda na política do Médio Oriente medieval.
Edição: Jan 2023
Nº Páginas: 464
Sinopse: Um retrato mordaz de um homem que tenta desesperadamente deixar de fumar e encontrar um sentido para a sua vida. A Consciência de Zeno marcou gerações de leitores e tornou-se um livro de culto do século XX. Na cidade de Trieste, em Itália, um neurótico homem de negócios segue o conselho do psicanalista e, à guisa de terapia, escreve as suas memórias. É através desta extensa e absorvente confissão que nos é revelada a mente hiperativa e infinitamente obsessiva de Zeno Cosini e respetivas angústias: o vício do fumo, a incapacidade de lhe pôr cobro, o desdém da bela Ada pelos seus avanços, o inesperado casamento com a irmã desta, Augusta, os casos extraconjugais a que se entrega, a doença que acredita afligi-lo, mas que nenhum médico consegue diagnosticar. Publicado em 1923, A Consciência de Zeno é um hino ao delírio e à procrastinação, uma obra-prima do realismo psicológico escrita pelo italiano Italo Svevo e justamente celebrado como um romance seminal do modernismo. «Compreender mal as mulheres é claramente um sinal de fraca virilidade.» Tradução de Ana Cláudia Santos; Introdução de Gonçalo M. Tavares
Edição: Mar 2024
Nº Páginas: 352
Sinopse: Dom Casmurro é Bento Santiago, Bentinho, marido ciumento e desconfiado de Capitolina, Capitu, seu amor de infância, por quem abandona o seminário e os sonhos da mãe. Perturbado com a semelhança do próprio filho com o melhor amigo e obcecado por uma suposta infidelidade que não consegue provar, Bentinho delira, acusa Capitu, rejeita Ezequiel e cai em desgraça. Embora a sofisticação e virtuosismo da trama urdida em Dom Casmurro sejam comuns à restante obra de Machado de Assis, tais características são, a este nível, ímpares na literatura em língua portuguesa. Publicadaem 1899, a história de Bento e Capitu - e as infinitas leituras a que se presta - constitui uma obra-prima do realismo e um dos romances mais traduzidos e importantes do cânone ocidental.
Edição: Mar 2026
Nº Páginas: 64
Sinopse: Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã foi redigida em 1791, em resposta à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, que excluía as mulheres dos privilégios colhidos pela Revolução Francesa. Ensaios, contos, poemas, dramas, cartas, manifestos testemunhos de ideias que ora mudaram, ora sustentaram o mundo nas várias formas que assumiu desde a invenção da palavra. Apresentamos os Little Black Classics, uma coleção que celebra a literatura com textos breves de grandes escritores.
Edição: Mar 2026
Nº Páginas: 384
Sinopse: Nova Inglaterra, 2022. Mallory Dunne, mãe solteira, recebeu o telefonema que todos os pais temem: o seu filho de 10 anos, Sam, ingeriu um cogumelo venenoso no acampamento de verão e está a lutar pela vida. Agora, enquanto procura um dador de rins compatível com o filho, Mallory é confrontada com dois segredos terríveis: a adoção da sua mãe em 1952 e o arrebatador romance de verão que ela própria viveu alguns anos antes com Monk Adams, seu amigo de infância e, agora, um dos mais amados e famosos músicos do mundo - um conto de fadas abruptamente interrompido devido a uma traição devastadora. Cairo, 1951. Sobrevivente do Holocausto, Hannah Ainsworth, refugiada húngara, consegue reconstruir a sua vida, acabando por casar-se com um abastado diplomata britânico, destacado na muito cobiçada e glamorosa cidade do Cairo. Todavia, um encontro fortuito com o enigmático gerente de um hotel repleto de espiões resulta num tumultuoso caso amoroso, e, à medida que a revolução fervilha nas ruas, Hannah, grávida, vê-se presa num jogo de intrigas entre dois homens e vítima de um sacrifício que irá ter repercussões por gerações.
Edição: Out 2024
Nº Páginas: " 224"
Sinopse: Na sequência da morte da sua mulher, Marco António é instado por Otávio a abandonar Alexandria e a sua amante, Cleópatra, e regressar de imediato a Roma. Aí chegado, para sanar o desentendimento entre os dois generais, é-lhe sugerido que case com a irmã de Otávio, o que espoleta a ira da rainha do Egito e alimenta uma sucessão de decisões trágicas para ambos. Levada a cena pela primeira vez em 1607, e baseada em acontecimentos históricos verídicos narrados por Plutarco no século I, António e Cleópatra é um drama histórico em cinco atos em torno da queda de um general sem habilidade política e uma rainha com ambição.
Edição: Set 2023
Nº Páginas: 144
Sinopse: Pela mão de um dos mais acarinhados autores norte-americanos, uma crítica lúcida e feroz à religião. «O Homem reza ao Criador, e pensa que Ele o ouve. Não é uma ideia bizarra?» Exilado do Céu por escarnecer da obra divina, Satanás decide visitar a Terra para observar a mais recente experiência do Criador: a Humanidade. O que aqui encontra é motivo de tamanha incredulidade, que decide escrever aos arcanjos Miguel e Gabriel, narrando com estranheza e sarcasmo as contradições que orientam a relação entre Deus, injusto e cruel, e os humanos, que lhe prestam adoração irracional. Em tom mordaz e irónico, as missivas denunciam as práticas religiosas do Homem, vazias e fúteis, e os defeitos de um deus que criou o Inferno para negar às suas criaturas o derradeiro alívio das provações a que as submete a morte. Em Cartas da Terra, publicadas postumamente, Mark Twain revela um pessimismo e desencanto característicos das suas obras tardias, dando a conhecer outra faceta de um dos autores mais profícuos do século XIX. Com introdução de António Araújo
Edição: Jun 2024
Nº Páginas: 368
Sinopse: Na Grã-Bretanha, província do estado de Oceânia, Winston Smith trabalha no sinistro Ministério da Verdade, dedicado a reescrever a história de um mundo em guerra permanente, onde a realidade é reconfigurada segundo a direção do Partido. Sob a vigilância omnipresente do Grande Irmão, Winston alimenta o sonho de uma rebelião, fantasia que partilha com Julia, sua amante e aliada. Depressa irá descobrir que a intimidade não protege a verdade. Escrito em 1948 por George Orwell, esta impressionante distopia futurista adquiriu contornos proféticos com a instauração de regimes totalitários por todo o mundo. É, ainda hoje, e justificadamente, considerado o romance mais influente do século XX.
Edição: Nov 2024
Nº Páginas: 200
Sinopse: «Tenho de saber quem tem razão: a sociedade ou eu.» Nora vive o sonho burguês do final do século XIX: casada com um quadro superior num banco, tem 3 filhos e vive uma vida desafogada. No entanto, esconde um segredo que, se descoberto, pode destruir este idílio e atirá-la para as mãos da justiça, condenando assim a família à desgraça. O terror anunciado chegará através de um homem sinistro, impondo uma revolução indesejada, mas inevitável, na vida e na consciência desta mulher. Levada à cena pela primeira vez em 1879, Casa de Bonecas chocou a sociedade da época pela exploração realista que faz do lugar da mulher na sociedade e na família, e pela denúncia da falsa moralidade que lhe é imposta. A discussão em torno da ação transbordou dos palcos para os jornais e salões da época e confirmou Ibsen, obreiro de uma extraordinária modernização do teatro, como um dos dramaturgos mais influentes da literatura ocidental.
Edição: Set 2024
Nº Páginas: 152
Sinopse: Em novembro de 1919, Franz Kafka escreveu uma extensa missiva dirigida ao pai, Hermann Kafka, na qual expurgava décadas de abusos psicológicos. Esta carta, a mais famosa do século XX, nunca chegou ao destinatário, mas a sua publicação póstuma permitiu a gerações de leitores testemunharem uma história de violência doméstica e a subsequente devastação de um filho às mãos de um pai tirano. Lúcida e pungente, Carta ao Pai é um poderoso exercício de autoanálise e um valioso documento histórico e literário, sem o qual a nossa compreensão da obra de Franz Kafka seria, necessariamente, muito diferente.
Edição: Nov 2024
Nº Páginas: 424
Sinopse: Escrito em 1860, no auge da ocupação colonialista da Indonésia, então Índias Orientais Holandesas, pela Holanda, Max Havelaar, funcionário das Índias Orientais em Java, testemunha com horror a violência a que a administração colonial submete os povos nativos. A crueldade com que agricultores e comerciantes de café são tratados levam o idealista Havelaar a lutar contra a corrupção e imoralidade do sistema colonial. Um livro verdadeiramente revolucionário, cunhado como o livro que matou o colonialismo e que provocou importantes reformas sociais na Companhia das Índias Holandesas e em Java e que inspira, ainda hoje, movimentos de comércio justo.
Edição: Mar 2026
Nº Páginas: 240
Sinopse: Dos muitos projetos que ocupavam o génio de Fernando Pessoa, como serão o dos heterónimos ou o internacionalmente famoso O Livro do Desassossego, o de escrever uma história da literatura portuguesa será porventura menos conhecido. No entanto, essa ideia, que nasceu ainda em Durban, ocupou-o até ao fim da vida, como o atestam as inúmeras páginas sobre grandes escritores, seus contemporâneos e não só, encontradas na famosa arca e a cuja fixação e exegese investigadores se dedicam há mais de sessenta anos. Entre a admiração genuína e a maledicência espirituosa, Pessoa ensaia não apenas uma antologia dos principais autores portugueses dos últimos cinco séculos como, talvez mais importante, uma teoria da arte, da estética e da literatura textos a que esta coletânea dá corpo sob o título Uma História da Literatura Portuguesa.
Edição: Mai 2024
Nº Páginas: 272
Sinopse: «Vingar-me-ei das injúrias que sofri: se não posso inspirar amor, causarei medo.» Em 1816, durante uma noite de verão invulgarmente tempestuosa, Lord Byron desafia os seus companheiros de férias a compor uma história assustadora. A jovem Mary Shelley, então com dezoito anos, imagina uma monstruosa criatura, fruto da obsessão de um cientista, Victor Frankenstein, em gerar vida a partir da morte. Horrorizado com o resultado da sua experiência, Frankenstein rejeita o monstro que, incapaz de encontrar a simpatia que procura, se decide a destruí-lo e condena ambos - criador e criatura - a uma existência de errância e solidão. Clássico pioneiro da ficção científica, Frankenstein convoca o fascínio da época pela eletricidade e pelas possibilidades que a ciência representava, oferecendo uma indagação pertinente e muitíssimo atual sobre os limites e as consequências da interferência humana na Natureza.
Edição: Mar 2024
Nº Páginas: 136
Sinopse: No ano em que escreveu A Revolução Russa, Rosa Luxemburgo cumpria uma das várias penas de prisão a que foi condenada pela sua atividade política. Socialista e resistente à ocupação czarista da sua Polónia natal desde jovem, entusiasmara-se profundamente com a Revolução de Outubro no ano anterior, em 1917. Esta natural solidariedade, porém, não a impediu de antecipar preocupação com algumas medidas avançadas pelos Bolcheviques, tais como a centralização do poder na figura de Lenine, a criação de um sistema de partido único e a supressão de liberdades civis. O compromisso de Luxemburgo com o socialismo, a democracia e a revolução, bem como o seu ativismo antibélico, traduziu-se numa vida de perseguição política e controvérsia que, não obstante, marcou e influenciou indelevelmente o pensamento político europeu até hoje.
Edição: Set 2024
Nº Páginas: 240
Sinopse: «Pessoalmente, acredito que um trabalho aprazível, com um certo grau de entusiasmo e mudança, me faria bem. Mas que posso eu fazer?» Em 1890, recuperada da depressão pós-parto que a assolou após o nascimento da filha, Charlotte Perkins Gilman traduz essa experiência em O Papel de Parede Amarelo. Afastada da sociedade, uma mulher com pleno domínio das suas faculdades mentais - apesar do que as pessoas à sua volta e um desconcertante papel de parede pareciam sugerir - sucumbe gradualmente à loucura. Em A Terra Delas, utopia publicada mais de vinte anos depois, três homens encontram uma comunidade isolada, composta apenas por mulheres. A constatação da ordem, da paz e da entreajuda reinantes força-os a questionar o que tinham como certo sobre o sexo oposto. Denunciando a castradora condição social das mulheres no século XIX ou explorando e subvertendo os papéis de género, a voz assertiva e independente de Charlotte Perkins Gilman afirma-se como uma das mais importantes e originais na literatura norte-americana.
Edição: Nov 2024
Nº Páginas: 512
Sinopse: «Também o nosso corpo se transforma constantemente, sem pausa alguma, nem seremos amanhã o que fomos antes, ou o que somos.» Metamorfoses são uma das obras-primas da Antiguidade Clássica, escrita em inícios do século I d.C. Ao longo dos séculos, poucos textos suscitaram tão singular fascínio e exerceram tão grande influência, sobretudo nos campos da literatura e das artes plásticas. Com a sua mestria de contador de histórias e pintor de cenários, aliado à profunda compreensão da fragilidade e da grandeza do ser humano, dos seus sonhos de superação e suas contradições, Ovídio legou-nos episódios imortais, num fluir ininterrupto de histórias dentro de histórias, depois recriados vezes sem conta. Girando em torno do fenómeno da metamorfose, da mudança, da transformação do universo, do homem, do tempo e do espaço, Midas, Dafne, Polifemo e Galateia, Narciso e Eco, Dédalo e Ícaro, Orfeu e Eurídice, Pigmalião, entre tantos outros, pertencem, agora, à galeria de personagens eternas da cultura Ocidental.
Edição: Mar 2026
Nº Páginas: 344
Sinopse: Vivemos um momento de retrocesso cultural e legislativo, em que a incerteza sobre a relevância do movimento feminista ameaça décadas de progresso. Sophie Gilbert identifica um momento decisivo na viragem do milénio, quando a energia do feminismo deu lugar a um período regressivo de hiperobjetificação e sexualização das mulheres, influenciado pela cultura pop. Girl on Girl é uma acusação mordaz da teia de misoginia que sustentou a produção cultural do início do século XXI.
Edição: Fev 2026
Nº Páginas: 128
Sinopse: Vista pela primeira vez à pendura na mota de um rapaz, Czeslawa, de 14 anos, ganha vida neste romance prodigioso e inquietante, que imagina a sua infância numa pequena aldeia polaca antes de o seu mundo implodir no final de 1942. Despojada dos seus modestos pertences, rapada e tatuada com o número 26947 ao chegar a Auschwitz, Czeslawa é fotografada. Três meses depois, está morta. Como acontece isto a uma criança? Esta é a questão com que nos debatemos neste romance assombroso, que enquadra a história de Czeslawa na tragédia de 6 milhões de polacos que morreram durante a ocupação alemã. Um inesquecível documento de resgate histórico de uma vida inocente, que era, até agora, somente um rosto num tríptico fotográfico.
